10.ª São Silvestre de Lisboa (Parte 1)

 

(Texto publicado no site Running & Medals)

Não desfazendo a Amadora, famosa pela multidão que assiste à sua São Silvestre, tenho dificuldade em imaginar chave mais dourada e cintilante para fechar o ano na Grande Lisboa que a prova que totalizou mais de 8000 “finishers” no Sábado passado.

Por ser a primeira prova que repeti, posso afiançar que correr de noite, como na original São Silvestre do Rio de Janeiro, tem outra magia. Tal como não se pode agendar uma final da Liga dos Campeões, um festival da canção, ou um espectáculo pirotécnico para as nove da manhã, também esta prova tem que ser realizada à noite, o que não aconteceu no ano passado.

Foi este retorno às origens responsável pela participação massiva, o que levou inclusive a algum congestionamento até no bloco de partida sub-45 (e maior tráfego nos blocos mais atrás, segundo me foi dito). São situações difíceis de evitar a não ser que se afunilasse um pouco a pista antes do pórtico de partida, como vi ser feito numa meia maratona em Bruges (sendo que, neste caso, as ruas ainda mais estreitas dificultariam ainda mais a progressão).

 

 

De resto, para uma prova com tantos atletas, cada vez mais me convenço que não há pai para a HMS Sports. A t-shirt técnica, que no ano passado tinha sido uma excelente Asics e que este ano teria marca própria, não perdeu qualidade; as casas de banho portáteis eram em número suficiente para praticamente não haver espera; as filas assustadoramente grandes para o bengaleiro meia-hora antes da prova desfaziam-se em menos de nada; a iniciativa que convidava os atletas a doarem material de corrida (pouco) usado foi muito bem pensada, pois não há quem não tenha em casa, pelo menos, t-shirts de provas que só estão a ocupar espaço… Depois houve aquelas originalidades divertidas, como um prémio para quem fez o último quilómetro (a descer) mais rápido e a “Guerra dos Sexos”, ganha desta vez pelos homens, em que os homens saíram algum tempo depois das mulheres, tempo esse determinado pela diferença entre o primeiro corredor e a primeira corredora da edição anterior, entre outros aliciantes.

A cor, a música, os ecrãs gigantes, a participação de pessoas de todas as idades, variadas nacionalidades e condição física (desde os grandes nomes do atletismo nacional até àqueles que, apesar da má forma ou incapacidade física, também puderam “ganhar”), fazem desta festa um evento único.

Um ponto negativo, naturalmente alheio à organização, é o mau estado das ruas calcetadas entre o Cais do Sodré, Praça do Comércio e o Rossio, ampliado pela pouca visibilidade e ritmo elevado da corrida (na Meia Maratona dos Descobrimentos, de dia, este problema causou menos transtorno). A subida acentuada de mais de 1.300 metros até ao Marquês do Pombal é o que se sabe: muito dura! Mas aquele ambiente electrizante (ou será que estou a exagerar, porque a prova me correu bem?) até dá molas aos ténis.

Para finalizar, e numa altura em que está na moda dar “medalhas” em vez de medalhas, não posso deixar de elogiar a Medalha, com letra maiúscula, que recebemos. Pesada e imponente, fica uma bela recordação da 10.ª edição da São Silvestre de Lisboa, em que a temperatura esteve ideal e o vento praticamente inexistente. Uma tarde-noite perfeita!

 

Percurso e Altimetria

Fotos: Gustavo Figueiredo

 

2 Comments

  • João Lima says:

    HMS é HMS e está tudo dito para eventos em grande como esta São Silvestre!

    Tudo é pensado e repensado ao mais ínfimo pormenor, o que depois faz toda a diferença.

    Muito bonita essa foto!

    Fico a aguardar o teu relato, tendo já percebido que correu bem 🙂

    Um abraço

    • Baptista says:

      Verdade, João. De todas as provas em que participei (as duas São Silvestres e a Meia Maratona de Cascais), não tenho reparos a fazer. Outros pontos que me lembrei agora, de repente: a qualidade e facilidade de navegação dos sites, o pormenor das mantas térmicas no final desta SS e, finalmente, o inquérito de satisfação ao qual respondi esta manha.

      A prova foi uma maravilha… logo que puder volto ao assunto.

      Forte abraço e boa recuperação! 🙂

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