5.ª Meia Maratona dos Descobrimentos (Parte 1)

 

(Texto publicado no site Running & Medals)

Inscrevi-me na 5.ª Meia Maratona dos Descobrimentos com grandes expectativas, avisado por amigos que ainda não tinham falhado uma edição para um percurso rápido e uma excelente organização… e não me desiludi. Não é das mais participadas, como a “meia” de Lisboa ou do Porto, mas entra na categoria logo abaixo e é um bom exemplo de uma prova muito agradável, em que não somos esmagados pelo anonimato mas nem por isso deixamos de ter “direito a tudo”, como nas de maior dimensão. A localização da partida/meta é, a meu ver, ideal, com espaços amplos, jardins, o Mosteiro dos Jerónimos de um lado e o rio do outro. Respira-se à vontade!

Em relação à rapidez do percurso: qual Valência, Sevilha, Berlim, ou Chicago… Belém serve-nos bem! Quem quiser testar os efeitos do último plano de treinos, encontra um “ambiente (quase) controlado”. O trajecto é practicamente plano à excepção da ligeira subida até ao Teatro Nacional D. Maria II (desvio sem o qual a corrida seria uma ida-e-volta à beira-mar, numa longa recta de oscilações imperceptíveis). É a partir do Cais do Sodré que surgem pequenos obstáculos: o piso empedrado junto ao Terreiro do Paço, o ponto de retorno logo a seguir e, finalmente, a incursão pelo Rossio (Rua do Ouro a subir e Rua Áurea a descer), com o piso calcetado a obrigar a uma maior concentração. A partir do momento em que se volta à Marginal, liga-se o piloto automático até à meta. Quem está focado em bater recordes pessoais, tem nesta meia maratona uma oportunidade de ouro; aqueles que privilegiam a animação e o apoio fervoroso do povo talvez não fiquem tão satisfeitos, pois ontem só alguns curiosos bateram umas palminhas misericordiosas, lá para os lados do Rossio, enquanto esperavam para atravessar a rua.

 

 

Ao contrário do famoso dilúvio da 4.ª edição, em 2017 o tempo esteve seco e a temperatura bastante baixa, com vento norte e algumas rajadas. Perante o dilema da roupagem, saiu a ganhar quem resistiu à tentação de se agasalhar demasiado, porque o sol aqueceu um pouco e, no retorno, quando o vento contra deixou de se fazer sentir, o impacto dessa acalmia fez ferver o sangue de quem vinha em esforço embora, objectivamente, não estivesse calor.

Quanto à organização, foi competente, como nos habituou a Xistarca. As camisolas (especialmente as dos 21.1 Km) são muito bonitas, o dorsal incluiu alfinetes (parece um detalhe óbvio, mas nem sempre eles lá estão), os brindes pré-prova – desodorizantes – úteis, os blocos de partida funcionaram bem, a água prometida aos 5, 10 e 15 Km não faltou, bem como o gel e a barra energética e, depois da meta, fruta, água, bebida isotónica à descrição e pacotes de leite de soja com fartura. Pela primeira vez, vi senhas numeradas para as massagens, uma óptima ideia para não ter que se estar tanto tempo à espera em fila. Os resultados foram publicados quase em tempo real e 5.000 € angariados para auxiliar os Bombeiros Voluntários da Pampilhosa da Serra.

Aspectos a melhorar? Na meia-hora que precedeu a partida da meia maratona, formou-se uma fila gigante para o bengaleiro que podia ter sido evitada se houvesse mais pessoas a recolher as mochilas. Também não gostei do estilo da medalha, uma placa de metal impressa, mas isso é uma questão de gosto. Nos abastecimentos, quatro em vez de três águas durante a corrida seria mais indicado; por outro lado, quando penso em mais 2.000 garrafas de plástico a voar para a berma da estrada, passa-me logo a sede e retiro a sugestão.

Em resumo, foi um dia magnífico para a prática da corrida, com um percurso recheado de pontos de interesse e “fácil” – da meia-dúzia de corredores com quem conversei, todos bateram os seus melhores tempos. Uma alegria!

(Finalmente, uma palavra de apreço aos muitos fotógrafos amadores que, ao frio, acompanharam este evento, disponibilizando milhares e milhares de fotografias.)

 

Percurso e Altimetria

(as subidas de 3% são fake news do GPS, que se atrapalha quando passa por baixo de pontes)

 

6 Comments

  • Bela alternativa às megalómanas das pontes. Nunca a fiz e já não faço meias há muito tempo, mas gostava de alinhar no próximo ano. Boa ideia, essa das senhas. Não há prova nenhuma que faça em que não pense em fazer massagens, mas depois quando vejo pelo menos dois gajos À espera desisto eheh Espero que a tua prova tenha sido boa.

    • Baptista says:

      Nas pontes não me apanham. É gente a mais e qualquer distracção por parte da organização toma proporções enormes. Esta encheu-me as medidas. Dia 02/12/2018 já sabes 🙂
      Eu sou dos que fica sempre à espera (a torrar ao sol, a gelar à sombra…) e quando finalmente chega a hora da massagem serve mais para recuperar da posição estátua que das mazelas da corrida, eheh
      Abraço!

  • João Lima says:

    É uma grande Meia e propícia a grandes feitos. Tal como sei que foi o teu e que ficará reservada para a parte 2, a qual fico a aguardar.

    Só tive pena de não falar melhor contigo mas, como deves ter visto, estava esgotado 🙂

    Um abraço

    • Baptista says:

      Olá João!
      Ainda estou pasmado com o meu feito, e contente por ver que muitos amigos se superaram, incluindo tu, como já vem sendo habitual 😉
      Foi engraçado ver-te a cortar a meta. Até Domingo, eras pixeis no ecrã; quando te vi, foi como se tivesse encontrado um “famoso” da televisão! Ah, se me viessem “chatear” logo a seguir a cortar a meta não dizia coisa com coisa. Falaste muito bem, e da próxima vez falamos melhor, com outro fôlego.
      Um abraço e bom Natal (Grande Prémio, claro)!

  • Excelente artigo do que aconteceu no dia 3! Uma prova bem agradável. Não sei se reparaste José, mas instalou-se uma certa confusão nos blocos de partida quando demoraram tanto tempo a certificar a cor do atleta que a corrida começou e estava uma multidão atrás das grades. Deu-se a partida mas ninguém percebeu que já tinha começado. Acho que o problema, no entanto, foi as pessoas terem ido apenas para a partida nos últimos minutos. Apartir dai não houve nenhum problema e foi um dia excelente. E parabéns pela tua marca! Continua!

    • Baptista says:

      Bem-vindo Jorge, e obrigado!
      Reparei que havia alguma confusão na triagem (penso que não estava muito bem sinalizada) e também cheguei poucos minutos antes, por causa da tal fila no bengaleiro. Achei que estava pouca gente no meu/nosso (?) bloco dos sub-1h45, porque atrás de mim havia bastante espaço. Sinceramente, sou pouco fiável a relatar coisas que se passam pouco antes da partida, porque entro num estado de “loucura”, eheh
      Tu fizeste um tempo descomunal! Muita cabeça, splits equilibrados, parabéns! Agora é pensar nos 1:28…
      Vi os teus filmes com a go pro na cabeça e fartei-me de rir com os 20 Km da Marginal. Nessa corrida parti a uma velocidade aberrante e tu ainda mais. Ora vê bem: ultrapasso-te em Carcavelos (apesar de já estar meio-morto), arrasto-me a partir de Santo Amaro, no Alto da Boa Viagem só falta rastejar… e até ao fim é um martírio. E tu ainda chegas 10 minutos atrás 😛 Aprendemos muito com essa!
      No filme desta prova quando passo pela meta estás tu a olhar para o céu, para a calçada… e só me vejo de costas.
      Bons treinos e até à São Silvestre de Lisboa, se fores.
      Abraço!

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