Uma decisão inevitável

 

Diz ele e digo eu.

 

Está decidido: a Maratona fica para outra altura. Bruges era uma excelente oportunidade e vinha-me a preparar com afinco (apesar do plano de treino não ser muito exigente), mas estes últimos dias levaram-me a adiar os 42.2 Km. Apesar de, uma semana depois da contractura, o pescoço já estar quase bom e não sentir nada de impeditivo no ombro, chegou uma constipação que me desanimou. A juntar à sensação de enfraquecimento depois daqueles dias de inactividade, veio a tosse, o nariz a pingar, os arrepios de frio, os afrontamentos, as aftas, a moleza… e o calendário a avançar, impiedosamente.

Mesmo que o pescoço e ombro já estivessem a 100% e a constipação não degenerasse numa pneumonia aguda (já estou por tudo), chegava ao dia 18 deste mês, o mais importante na preparação, com 45 Km nas pernas (um treino de 5 Km, um de 10 Km e dois de 15 Km). Até Outubro, deveria fazer um treino de 30 Km, outro de 35 Km e mais quatro entre 10 a 15 Km em ritmo de competição. Depois desta semana em casa a arrastar-me de um sofá para outro, a comer bolachas como uma menina de doze anos com o coração partido, não esquecendo o efeito dos relaxantes musculares, acho que o corpo se convenceu que aquela coisa das corridas faz parte do passado. Foram dez dias de nada em que sinto que voltei à estaca zero; no mínimo, regredi alguma coisa. Fazer o que tinha a fazer e ter tempo para a fase de arrefecimento até à prova era difícil, não por falta de vontade, mas porque corria o risco de me magoar e, depois, nem Maratona de Bruges, nem Meia Maratona de Bruges, alternativa que passei a ter na mira.

A estação Outono/Inverno, para além de prometer multiplicidade e contrastes nas tendências da moda, tem também um calendário recheado de corridas e quero estar em forma para o que aí vem. A ideia inicial era “descansar” entre 15 de Outubro até princípios de Dezembro, onde conto correr o Grande Prémio de Natal ou a Meia Maratona dos Descobrimentos e, no fim do mês, uma de quatro São Silvestres (repetir a de Lisboa, ou experimentar a de Almada, Amadora ou Olivais). Com a mudança de planos e a carga a ser menor em Outubro, até tenho vontade de olhar para Novembro com mais atenção.

É chato ter que tomar esta decisão depois de tantas horas de planeamento, mas muito do que projectei para esta Maratona servirá para a “próxima”… e não deixará de ser uma grande alegria fazer outra Meia Maratona no estrangeiro. Lembro-me do entusiasmo antes da “Meia” na Coreia e sei que em Bruges será igual. Ainda para mais, o percurso não podia ser mais gentil, por isso toca a levantar a cabeça e, se me puder preparar como quero, mandar os 1:33:07 de Caminha para segundo plano.

 

Fresca em Fevereiro, plana e nossa vizinha. Que tal?

 

12 Comments

  • João Lima says:

    Envio-te um grande abraço de força. São decisões muito difíceis de serem tomadas.

    Quanto à da foto, ADORO essa Maratona 🙂
    (Já a fiz duas vezes e hei-de fazer mais)

    Um abraço

    • Baptista says:

      Obrigado, João!

      Já estou mentalizado 🙂

      Conheci aquela “foto” através do teu blogue quando me comecei a interessar por corrida. À medida que fui lendo mais, foi crescendo a vontade…

      Abraço!

  • Olá Záto!
    Sim foi uma chatice, seres forçado a tomar essa decisão, mas há coisas que ou não controlamos ou não as sabemos controlar – sei tão bem do que falo!
    Aqui esta R. Wannabe também está a ver uma corrida pelo canudo! Não comi bolachas…mas devorei metade de uma regueifa…torradinha e com manteiga!
    Apara lá o pingo do nariz, recupera, foca-te nos próximos treinos e pronto não se fala mais nisso, porque não há mais nada a fazer!
    Vais fazer uma grande Meia e contamos com mais um excelente relato!

    Força nisso!

    • Baptista says:

      Olá!

      Jurava que já tinha ouvido falar em regueifa, mas não me lembrava o que era…

      re·guei·fa
      (árabe andaluz ar-rgaifâ, do árabe rgafa)
      5. [Portugal, Informal] Conjunto das nádegas.

      Canibalismos à parte, fizeste muito bem! Também me perco com coisas torradas e a manteiga a derreter.

      Tens que ir ao Tejo, nem que faças aquilo a caminhar… ou um 50/50 marcha-jogging… para veres o ambiente. (Eu digo estas coisas mas se fosse não conseguia não correr, eheh)

      Aqui por casa o pingo já passou a ranhoca (menos mau) e não me dói a garganta. Hoje vou pedalar um bocado no ginásio para activar estes troncos e, se me sentir bem, uma corridinha muito leve.

      Muita força, até já!

      • Ahahah…canibalismo!

        Olha, regueifa é óptima ok? – o bolo!
        E de tão boa que é, até há uma Meia Maratona que lhe é dedicada, em Valongo! 🙂

        Quanto ao Tejo, ainda tenho alguns dias de recuperação, pela frente…vamos ver o que dará para fazer!

        Bons treinos e boas corridas!

        • Baptista says:

          Ahhhh! Afinal havia outra… a corrida! Afinal o que me soava familiar não eram tanto as nalgas mas o “próximas provas” de João Lima… está em todas, “O Padrinho” 🙂

          Vai correr tudo bem, vais ver. Aliás, esta semana é para descomprimir, por isso faz tudo devagar, devagarinho.

          Força!

  • Fabiana Fão says:

    Oh Bolas! Venho eu da minha primeira meia cheia de força e entusiasmo para te transmitir e deparo-me com uma decisão sensata… Que chatice! 😉

    Deixa lá, a vida é uma criança e oportunidades não faltam. E que esta meia seja uma inspiração para o que se avizinha! 🙂

    • Baptista says:

      E que grande “Meia” fizeste! Muitos parabéns 🙂

      Foi mesmo melhor assim. Será também uma oportunidade para me preparar de forma mais consistente para ter mais confiança no dia em que fizer os 42.2 Km. Até lá, com umas MM e umas de 10 Km, sempre a sorrir 🙂

  • N. says:

    Ora bem, como te dizia era preciso ponderar bem se devias fazer a prova e parece-me que foi sem dúvida a melhor decisão a tomar.

    Essa nossa vizinha também me anda a encantar e a sussurrar aos ouvidos…

    Quanto a provas, também estarei no GP Natal e estou em negociações comigo mesmo para a MM Descobrimentos (foi a primeira Meia, em 2014). Não conto fazer nenhuma São Silvestre e das que já fiz digo-te que a dos Olivais é durinha.

    Abraço

    • Baptista says:

      Sim, foi o mais prudente, era tempo a mais parado e tempo a menos para recuperar sem percalços. Assim, vou com outra confiança quando acontecer.

      Desde a queda de Bruges que ando a babar-me com essa senhora! Percurso lindíssimo e a cereja no topo do bolo: a meta no Estádio Olímpico.

      Das São Silvestres, segundo as minhas pesquisas, a de Lisboa acaba por ser a mais fácil das que mencionei… acho que vai ser mesmo essa.

      Força, abraço!

  • Miguel says:

    As melhoras camarada!

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