1.ª Meia Maratona de Cascais

 

 

Um dia antes do meu aniversário e de passar da categoria “Sénior” para “Veterano I”, participei na minha primeira Meia Maratona. Era a estreia ideal, pois não só era em “casa”, como não havia parte nenhuma do percurso que eu não já tivesse corrido. A primeira edição desta prova veio substituir os antigos “20 Km de Cascais”, que comemorariam este ano a sua 34.ª edição não fosse essa alteração, imagino eu que para tornar o “produto” mais atractivo. Como não sou da velha guarda (lá chegarei) não me indignei, mas muita gente houve que se mostrou descontente com o desaparecimento dessa corrida histórica.

Depois da última prova, a São Silvestre de Lisboa, no último dia de 2016, tinha feito, ao longo de Janeiro e Fevereiro, dez treinos de 10 Km, cinco de 15 Km e dois de 20 Km. A distância não assustava, mas aqueles 1.097.5 metros finais seriam, ainda assim, território desconhecido. Apontei para um sub-1h40 (4:43/Km), objectivo modesto visto que já tinha corrido em treinos longos quase a esse ritmo.

Apesar da noite mal dormida (o costume), acordei viril. O tempo estava maravilhoso: nublado, 13ºC e sem vento. Por ser a minha primeira Meia Maratona e não ter nenhum registo oficial nessa distância, tive que me posicionar mais atrás do que desejava, embora houvesse blocos de partida. Antes da partida, respeitou-se um minuto de silêncio por uma “atleta de pelotão” muito especial que eu, por ser novo nestas andanças, não tive o prazer de conhecer, ao contrário de muitos outros milhares: a Analice. Foi uma bonita homenagem, minutos antes da partida, com palmas quando se pediram palmas e silêncio total quando se pediu silêncio – só as gaivotas desrespeitaram.

O “trânsito” inicial e as subidas (acessíveis, porque as pernas estavam frescas) até a meio do Km 3 obrigaram-me a um início prudente (4:45/Km), o que me permitiria embalar para outro ritmo mais tarde. O “clique” deu-se na Estrada do Guincho, a descer para os Oitavos, ao Km 5, quando pensei “agora fazes o que fazes sempre, mas com mais genica”. Com a respiração tranquila, a passada tornou-se ousada e aproveitei a adrenalina para acelerar, com ultrapassagens ocasionais, mas sempre com a cabeça no sítio. Ao Km 12, junto à praia do Muchaxo, a média já ia em 4:31/Km. Ao bom desempenho não eram alheias as condições perfeitas para a corrida; no centenário do Milagre de Fátima, aconteceu o Milagre do Guincho. Primeiro, zero vento; depois, validando o fenómeno, o sol destapou as nuvens e espreitou… mas não dançou nem se aproximou dos atletas, com muita pena minha. (Verdade seja dita, o vento na zona do Guincho, capaz de nos deixar depenados, é mais frequente nos meses de Verão.)

Refeito da emoção, estabeleci como meta manter aqueles 4:31/Km, sabendo que não ia ser fácil. Só comecei a perder gás por volta dos Oitavos, antes da subida até à Casa da Guia, onde registei o quilómetro mais lento pós-início da corrida (4:41). É engraçado como, quando se está quase a acabar uma subida difícil, se julga que “só mais este bocadinho e já está”, quando depois disso não há nenhum sofá com massagens e gelados à nossa espera mas sim mais asfalto. Já em terreno plano, as dificuldades continuaram, pois estava esgotado… mas faltavam apenas 2.000 metros. Com muito espírito de sacrifício, consegui voltar ao ritmo anterior. A descida final era íngreme e convidava a um final forte, mas já ia espapaçado e não a aproveitei como podia. Finalmente, com a música e o público perto da curva da meta, vieram os arrepios de felicidade e um sprint (atabalhoado, com certeza) para acabar em beleza, com um tempo que julgava fora do meu alcance: 1:35:34.

Experimentei, pela primeira vez, uma massagem desportiva. Devia ter tido mais atenção à parte “desportiva”, porque me deitei na maca a julgar que me iam fazer coisas boas, talvez um cafuné nas pernas. Chiça! A senhora dobrou-me os pés a ponto de julgar que se soltavam do corpo, cruzou-me uma perna contra a outra até me esborrachar os tim-tins, e mais uma série de sevícias que não me recordo porque acho que desmaiei a meio. Mesmo assim, gostei e agora, sempre que vejo a tenda das massagens, meto-me na fila para sentir o prazer de ouvir as palavras “pronto, já está” e sentir os efeitos benéficos.

 

Percurso e Altimetria

 

Mais e Menos

(+) A organização, a cargo da HMS Sports, esteve irrepreensível. Os abastecimentos foram muitos e souberam muito bem (água ao Km 5, 7.5, 10, 13, 16 e 19 e banana e laranja ao Km 12). Desde a entrega do kit, passando pelo bengaleiro, casas de banho portáteis, bom funcionamento dos blocos de partida, boa disposição do speaker, as massagens, a publicação rápida dos resultados e a reportagem fotográfica, tudo foi feito com rigor e simpatia. A presença de patrocinadores, divulgando produtos e serviços através de jogos e brindes, também foram boa distracção.

(–) Nada a assinalar.

 

Vencedores

José Gaspar (Individual), 1:07:32

Vera Nunes (Individual), 1:14:42

Fotos: Gustavo Figueiredo; Paulo A. Lopes

 

2 Comments

  • João Lima says:

    Eu fui daqueles que dizia que o ideal era colocarem mais um km e passar a Meia.
    No dia que isso sucedeu, não pude participar pois foi na semana a seguir à Maratona de Sevilha e era impensável fazer uma Meia uma semana depois duma Maratona.
    Fiz questão de estar presente como espectador e foi impressionante o respeitoso minuto de silêncio pela Analice!

    Logo na tua estreia conseguiste uma grande marca! 🙂

    Um abraço e força para o dia que vais dobrar esta distância!

    • Baptista says:

      Tinhas uma excelente desculpa para não ires à Meia de Cascais, mas para o ano vemos-nos lá… a não ser que tenhas outra excelente desculpa, outra vez 🙂

      O minuto de silêncio pela Analice fez-me lembrar outro em que estive presente há muitos anos: o da Amália Rodrigues, no Estádio da Luz, antes de um jogo da selecção (Portugal-Hungria, penso eu)… nem um “piu”. Agora a norma, infelizmente, é palminhas (no melhor dos casos), ou cânticos e insultos (no pior).

      Grande abraço e força na preparação!

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