III Meia Maratona de Caminha

 

 

Andava a minha mulher a “chatear-me” para conhecer o Porto (ela é coreana, ainda passeou pouco por cá), que estamos sempre em casa, no Lidl ou na Decathlon, que nem a Lisboa a levo… quando perdi a cabeça e lhe propus um programa de sonho. Sim, vamos ao Porto, mas porque não alargar os horizontes e viajar pela Europa? Vamos a Espanha… vamos a Vigo 🙂 Claro que o que eu queria mesmo era experimentar a III Meia Maratona Sunset de Caminha, no habitualmente mais fresco noroeste e a horas tardias. Teve ela sorte que não estava muito virado para a nocturna Corrida de Santo António, em Lisboa, pela mesma altura (por ser muito parecida com a São Silvestre, que já tinha corrido), porque senão o roteiro turístico resumia-se a um prato de sardinhas assadas e gente bêbeda.

Cada um com as suas intenções (eu com segundas, ela com primeiras), partimos alegres. De Lisboa a Vigo, com a minha prudência ao volante, cheguei ao destino com as costas feitas num oito e dores de cabeça. Depois de uma noite bem dormida, acordei como novo, passeámos pela cidade (linda) e ainda fomos à… Decathlon, porque me tinha esquecido de trazer boxers justos e se corresse com os largos ia acabar com os tim-tins todos assados, como acontecia frequentemente no passado, até em treinos de menor distância. Enfiei a mulher no carro, que a contragosto partiu várias horas antes do início da corrida, assegurando-lhe pelo caminho que “Caminha é um espectáculo.” Por acaso, não me enganei. É uma vila simpática, rodeada de rio e vista para Espanha. As pessoas foram muito acolhedoras e via-se que estavam contentes por receber tanta gente naquele dia de festa. A maioria dos atletas eram do norte, como é natural, e também havia bastantes espanhóis, com boa representação feminina.

Quanto à prova em si, o meu objectivo era bater o recorde de 1:33:55 (4:27/Km) da Meia Maratona de Incheon (arredores de Seul, Coreia), dois meses antes. Como tinha sido alcançado em condições quase ideais, partia com algumas dúvidas mas com muita vontade. Não estava calor, mas soprava de vez em quando um vento estranho, sem direcção definida. Sem blocos de partida, parti mais recuado, para não entrar em loucuras. Os primeiros 2 Km foram feitos a apalpar terreno, como tinha planeado, e a partir daí imprimi um ritmo forte, interrompido apenas pela subida ao Km 10 em Moledo. Tive também dificuldade com a inclinação lateral da estrada, que empurrava para fora da berma. No regresso, a passar pela subida-agora-descida, fiz os dois quilómetros mais rápidos (Km 18-19) O pior veio depois, nos últimos 2.000 metros, em que normalmente fraquejo, quando a estrada, que até aí estava ladeada de árvores e protegia do vento, “abriu” e o vento se tornou insuportável. Foi um período difícil, em que era preciso mais coração que cabeça, a ponto de me sentir a ganhar asas quando virei para a vila, protegido pelos edifícios, para os últimos metros antes da meta. Com uma média de 4:25/Km a estabilizar bastante cedo na corrida, já sabia que ia melhorar a marca da Coreia. Assim foi, baixando 48 segundos, para 1:33:07.

Depois, veio uma noite no Porto e uma francesinha para me saciar a fome ao almoço, uma tarde em Aveiro com um ovo mole e um passeio de barco, leitão na Mealhada à noite (erro meu, que essas coisas comem-se ao almoço; ao jantar é só sobras), uma noite em Coimbra e uma visita ao Portugal dos Pequenitos e, para finalizar, uma ida ao Lidl, a caminho de casa, para matar saudades e comprar pão para o dia seguinte.

Querida, mais turismo agora só no Natal, se te portares bem, para conhecer as iluminações de Natal da Amadora… mas tem que ser no dia 31 de Dezembro ao final da tarde…  🙂

Essa não percebi.

É um embuste para ir à São Silvestre da Amadora, famosa pelo povo que sai à rua para ver e apoiar os corredores, e que não quero perder este ano.

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Percurso e Altimetria

 

Mais e Menos

(+) O empenho da organização para que nada falhasse, a alegria dos voluntários, a regularidade dos abastecimentos (no ano anterior tinha havido queixas nesse aspecto) e o buffet de fruta e oferta de imperiais e sumos à chegada tornaram esta Meia Maratona memorável. Para além disso, a peregrinação a uma pequena vila por parte de portugueses e espanhóis, recebidos pelos locais com muita amizade, devia levar os organizadores a trocar a designação da corrida de “sunset” por “ibérica”.

(–) Não havia casas de banho portáteis, não houve diploma (não é assim tão importante, mas é engraçado e não custa nada fazer) e os resultados não incluíram o tempo de chip, apenas o tempo oficial, pelo que a marca 1:33:07 é da autoria do meu relógio (o tempo oficial foi 1:33:15).

 

Vencedores

Mihail Lalev (SC Braga), 1:12:26

Clarisse Cruz (Individual), 1:28:53

Fotos: João Castro; António Garrido (Prozis)

 

6 Comments

  • João Lima says:

    Parabéns pela fantástica marca!

    Nós atletas, adoramos fazer turismo a locais que, vá-se lá saber a coincidência, há provas. Aliás, já há um conceito intitulado maraturismo 🙂

    No local onde foi essa Meia, deve ter sido bem bonita!

    Um abraço

  • Baptista says:

    Obrigado, João!

    Foi uma corrida muito boa, num cenário muito agradável. A parte mais bonita foi a da fotografia, mas mesmo na estrada nacional, rodeada de árvores, se estava muito bem.

    Maraturismo, bem visto 🙂 Acho que sofro disso, eheh

    Abraço e bons treinos!

  • Fabiana Fão says:

    Eu sou de Caminha, vivi lá alguns anos em adolescente antes de vir definitivamente para Lisboa. Que saudades! 🙂

    Sabe-se lá como só há pouco tempo fiquei a saber que Caminha tem uma meia maratona… Para o ano não me falha!

    • Baptista says:

      Olhando para a dimensão da vila, não se adivinha uma Meia Maratona ali, não…

      Adorei por todos os motivos e mais algum e adorava voltar, mas o que gastei em portagens e gasolina é inacreditável… a ver se me esqueço desse pormenor até lá 🙂

  • N. says:

    Mais uma excelente marca e uns belos dias de passeio! Já fiz provas mais longe exactamente com o mesmo tipo de dinâmica entre passeio e corrida, mas também fico assustado com algumas das despesas.

    Adorei a dica das luzes de Natal. 🙂

    P.S: Somos homens, pá! Qualquer recanto é um wc “portátil” LOL

    • Baptista says:

      Obrigado!

      É muito giro o passeio e ver, como dizes na tua descrição da Meia Maratona de Castelo Branco, as camisolas diferentes. Neste caso, com o extra dos clãs espanhóis e seus apoiantes, sempre mais extrovertidos.

      P.S: É verdade, e mais seguro também, que com o uso que aqueles cubículos levam, eu imagino a bicharada que ali anda 🙂

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