3.ª Meia Maratona de Almada (10 Km)

 

 

Duas semanas antes da Corrida da CPLP, visitei pela primeira vez na vida Almada. Na sexta-feira para levantar o kit, no dia seguinte para correr.

Escolhi a prova dos 10 Km em vez da Meia Maratona porque sou um medricas: quando vi a escalada até Cacilhas no mapa da altimetria empalideci. Por outro lado, tinha saudades de uma distância curta em modo de competição, o que não acontecia há mais de meio ano. Por causa dos treinos que nos últimos meses tinham sido mais compridos para preparar meias maratonas, estava com receio que o aumento da resistência tivesse afectado a velocidade; uma coisa é fazer alguns treinos com o pedal a fundo, outra é a adrenalina no dia da prova. Finalmente, temia também o tempo: apesar de começar às 19:30, num dia de muito calor podia tornar-se penoso correr. Por sorte, a temperatura nunca chegou a incomodar e estava ventoso. Mesmo assim, e como estou habituado a correr de noite, junto ao mar, com a temperatura raramente acima dos 22º mesmo no Verão, ensopei uma bandana com água para a cabecinha pensadora não sobreaquecer.

Éramos mais de 300 na prova dos 10 Km, mas havia caixas de partida. Muito pouca gente tinha pulseiras sub-50 e sub-40, por isso comecei praticamente na primeira fila. A saída deu-se com alguns minutos de atraso porque tinha havido vários acidentes no tabuleiro da Ponte 25 de Abril e a organização fez um compasso de espera para que o mínimo de participantes falhasse a corrida por esse motivo. Por ter chegado bastante cedo, ter aquecido com calma e depois ter passado mais tempo a saltitar no bloco de partida, à espera do tiro de partida, a excitação no momento da largada foi grande.

O primeiro quilómetro, a descer, foi feito em vôo rasante. Quando olhei para o relógio (4:02/Km) assaltaram-me os fantasmas da corrida dos 20 Km da Marginal (em breve escreverei sobre o meu primeiro, e único, desastre até à data). Com 90% do trajecto por correr, estava claramente a abusar e uma voz avisava-me: “vais-te lixar…” Mas, outra, mais arrojada, lembrava-me que atrás de mim ia quase toda a gente e à minha frente só aquele grupo de dezena e meia que tinha desaparecido logo no início; conseguisse eu manter o esforço e deixar que a velocidade média descesse pouco, podia ser uma grande tarde. Foi uma corrida atípica para mim pelo pouco contacto com os outros atletas mas, como o percurso da Meia Maratona coincidia com o dos 10 Km em vários troços, as constantes ultrapassagens davam alento e força para manter o ritmo elevado. A outra ajuda psicológica foram as várias ruas estreitas e constantes mudanças de direcção, não dando lugar a falhas na concentração (ao contrário do local onde treino, quase desértico e com horizontes largos, propício a esse tal adormecimento). Com tanta variedade, nem a subida (de dificuldade moderada) à base naval do Alfeite e, mais à frente, a visita aos estaleiros da Lisnave (zona muito ventosa) afectaram o ritmo de sobremaneira. O relógio estabilizou nos 4:12/Km e, apesar da quebra física a partir do Km 8, assim permaneceu até ao fim. Acabei de rastos, como deve ser, mas vivo, e em cavalgada desconexa quando vi o relógio da linha da meta a marcar 41:50, lá ao longe. Foi um pequeno delírio que agora me dá vontade de rir, achar que em 9 segundos chegava lá para alcançar um sub-42. Seja como for, acabei com 42:08 e o recorde anterior de 42:53, que datava da minha primeira corrida, caiu com bastante folga.

 

Percurso e Altimetria

 

Mais e Menos

(+)  Excelente organização da Last Lap (que também organizou a Corrida da CPLP), com a simpatia e generosidade do costume, e muitos voluntários espalhados pelo percurso para garantir que ninguém se perdia. Os abastecimentos não falharam; penso até que houve um extra, devido ao cruzamento entre os 10 Km e a Meia Maratona. O ambiente geral vivido no Parque da Paz antes da prova foi de festa, com música e muitas tendas a divulgar clubes de corrida, saúde desportiva, etc.

(–) Como havia três distâncias (10 Km, Meia Maratona e Caminhada de 6.5 Km) e os percursos ora coincidiam, ora divergiam, por vezes tornou-se complicado, com o cansaço, saber para que lado me virar, apesar das tabuletas a cores. Felizmente, num dos cones para retornar, a voluntária gritou “volta para trás!”, caso contrário seguia em linha recta.

 

Vencedores

Eusébio Rosa (Individual), 35:51

Ana Pereira (Individual), 48:07

Fotos: Emídio Copeto, Walter Branco e Marcelo Silva (EMI Photography); Mafalda Lima

 

6 Comments

  • João Lima says:

    A prova de 10 km teve uma altimetria simpática, a Meia foi dura, muiro dura!
    Parabéns pelo recorde que, felizmente, teve vida curta 🙂

    Um abraço

    ps – No crédito das fotos está João Lima mas foi tirada pela minha mulher, Mafalda Lima 🙂

    • Baptista says:

      Viva, João!

      Corrigido o crédito. Sabia que não podia ter sido o teu dedo a tirar a foto, porque nessa altura estavas a ser castigado na Meia. A caminho do carro, no Parque da Paz, vi o estado em que vinham as pessoas, eheh

      Obrigado e um abraço.

  • Ricardo Silva says:

    Boa prova atleta…
    Abraço

  • N. says:

    Que tempo bombástico! Parabéns pelo record!
    Este ano não pude ir, mas espero marcar presença na MM para o próximo ano.
    Abraço!

    • Baptista says:

      Obrigado, foi uma surpresa para mim também!

      Para o ano também conto lá estar, para a Meia ou para repetir os 10 Km. Se não for antes (será, com certeza), em Almada vemos-nos. 🙂

      Forte abraço!

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