IV Corrida da CPLP

 

 

A IV Corrida da CPLP (10 Km, 16-07-2017 às 10:00) foi uma corrida especial, porque os 10 € do valor da inscrição reverteram para a campanha “Juntos contra a fome”, com vista a erradicar a fome na CPLP até 2025, tendo sido arrecadados 8.210 €.

Para mim, em particular, especial também pela localização, já que piso grande parte do percurso várias vezes por semana e conheço cada rua como a palma da minha mão. Assim sendo, estava devidamente habilitado a sofrer por antecipação com a vantagem de conhecer a subida da Av. da República a seguir ao hipódromo e a longa subida, no retorno, entre os Forte dos Oitavos e o Farol da Guia.

No dia anterior, tinha comido feijoada ao almoço e ao jantar. Ao almoço porque quis, ao jantar porque houve uma falha de comunicação com a cozinheira, julgava que não havia outra comida (mas havia… estava no frigorífico), e repeti a dose. Fui para a cama tarde e adormeci ainda mais tarde por causa da excitação. Pus o despertador para as 7:00 mas acordei às 6:00, com medo de não ouvir o alarme. Antes de sair de casa, felizmente, consegui “perder peso”. Esta conversa pode parecer desapropriada, mas não há quem corra que não tenha uma ou outra história destas para contar ou esquecer.

Apesar do tiro de partida ser cedo, às 10:00 já estava algum calor. Nada demais, mas com o esforço e pouco vento, imaginei-me a sofrer. Como muitas vezes acontece, comecei rápido demais e assustei-me quando olhei para o relógio. O objectivo era bater os 42:08 (4:13/Km) na mesma distância em Almada duas semanas antes, mas estava a puxar demasiado. Segui firme, tentando não pensar num possível estoiro, mas antes num confiante “sentes-te bem, aproveita”. E assim se passou a primeira metade, a fazer ultrapassagens, lentamente. O confortável transe foi interrompido pelo cone do retorno. Retornado sofre! Depois da leve brisa que refrescava o motor sem dificultar a locomoção, ao virar-me para leste fez-se silêncio (e bem se podia cantar o fado da aflição), a luz intensificou-se e o agradável cenário costeiro tornou-se inóspito. A sentir-me teletransportado de Cascais para a Amareleja e a antever 20 minutos de sofrimento, mantive o ritmo apesar dos protestos do corpo, para atacar a subida do Km 7 com determinação. Não larguei quem ia à minha frente e, apesar de ser ultrapassado por dois, o relógio não mentia: a restarem só descidas, bastava-me manter os 4:08/Km para bater o recorde anterior. Os últimos 2 Kms foram só coração, de concentração total, a pedir a cada uma das pernas “só mais um passo!”, a guinar sempre que me parecia estar a perder fulgor. Acabaram por ser os 2.000m mais rápidos e atravessei a meta com surpreendentes 41:17.

Agora é sonhar com o minuto 40:xx, mas só depois da Maratona. Tenho também a consciência que estes 41:17 podem estar ligeiramente inflaccionados, porque a distância do percurso não foi certificada (normalmente, nas corridas de 10 Km, o GPS do relógio marca um pouco acima da distância e desta vez, pela primeira vez, ficou 100 metros abaixo). Mesmo assim, uma manhã feliz, apesar da feijoada da véspera ter assustado.

 

Percurso e Altimetria

 

Mais e Menos

(+) O pessoal da organização foi muito profissional e atencioso e contribuiu para que tudo corresse bem. O bengaleiro funcionou sem problemas, havia casas de banho portáteis, era possível a inscrição na manhã da prova poucos minutos antes de esta começar (dorsal numerado, sem nome), os abastecimentos foram fornecidos na quantidade prometida (água fresca, apesar do calor), houve massagens no final, os resultados e diplomas foram publicados poucas horas depois da prova, enfim, uma excelente manhã sem percalços a destacar.

(–) Acerca da não certificação da distância, e fazendo fé na imprecisão habitual do meu relógio, palpita-me que corremos alguns metros abaixo dos 10.000m. Por outro lado, para o ano que vem, exige-se uma medalhinha de recordação! (damos mais 2 €, metade para a CPLP, a outra metade para a medalha) 🙂

 

Vencedores

André Costa (Individual), 32:16

Alexandra Sousa (Individual), 39:57

Fotos: Marcelino Almeida e José Silva (In Totum Lda)

4 Comments

  • João Lima says:

    Muitos parabéns pelo brutal record aos 10!

    Foi a primeira vez que não estive presente nesta corrida. O percurso foi igual ao de 2016 e também aí ficou a dúvida se não faltariam 100 metros.
    Neste caso até é fácil acertar pois é só questão de alterar o ponto de retorno.

    Força para o minuto 40 ( e depois… sub40!)

    • Baptista says:

      Obrigado, João!

      Fizeste bem em não ir, se a razão foi a preparação para a Maratona. Sei bem como é a tentação de ir a “só mais esta” (no meu caso, foi a última “só mais esta” antes da minha Maratona).

      Os 39:59 estão ainda longe mas hão-de chegar 🙂

  • N. says:

    É impossível não destacar a parte do “perder peso”. É algo que para mim é fundamental antes de uma prova mas que nem sempre acontece.
    Excelente tempo, sem dúvida! Os 39:59 hão-de chegar.
    Abraço!

    • Baptista says:

      Por falar em “perder peso”, é das coisas que mais me ocupa o espírito antes das provas. Sobre esse tema, tenho uma história (real) que prometo publicar, a pedido de várias famílias, que vai afugentar metade das 8 pessoas que aqui vêm 😀 Aquilo é do pior (e do mais natural) que há! O título é “Glória e aflição no Extremo Oriente” e conta a história de um rapaz que comeu o que não devia antes de ir treinar…

      Abraço!

Leave a Comment